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Os "doutores" não conseguirão impedir um punhado de gente

by anonymous

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Opinião

CARLOS ARANHA

 

caranha@terra.com.br

 

Publicado no "Correio da Paraíba",

edição de 4ª feira, 22 de maio de 2013.

 

UM PUNHADO DE GENTE

 

Já fui bem mais barulhento do que sou. Sempre falei alto e quando xingava alguém, partia pra cima mesmo. Não tinha essa de medo de levar uma surra. Hoje sou um cidadão bem mais pacato, sereno. Como me pediu um poeta via torpedo: “Be patient”. Tudo bem, carrego um tipo de paciência neotropicalista. Assim, amigo meu, você que também ainda escuta, e muito, os Beatles: “Let it be”.

Só volto a ser aquele cara que subia no telhado e fazia um recital poético, ou tentava levar pra casa o busto de Augusto dos Anjos na Lagoa, quando passo da sétima, oitava ou nona dose de uísque. Aí, não me provoquem porque não virá uma nona sinfonia. É provocando que a gente se entende? Como induziu Walter Galvão em seu segundo e provocativo livro? Walter Galvão veio da “Batalha dos renegados” para dizer que o som diz sim em meio à inclusão-eclosão, passou por Maio e tanta coisas e em 2013 nos silabareia.

Não vou ficar sorrindo por qualquer coisa como os Vercilo e as Ruiz da vida. Quando olho pros dois, penso que fazem propaganda dos cremes Even, Sorriso e Colgate. Até Maria Gadu, que no começo parecia rebelde, revoltosa, já se deixa domar. Os mais antigos (que nunca ficaram velhos e viram o show dela no Ponto de Cem Réis) perceberam que Gadu estava mais para o filme “Maria Candelária”, com Dolores del Rio, que a homônima marchinha de carnaval gravada por Blecaute.

Rebelde é Gal Costa, com “Miami Maculelê”, o funk caetanista.

Sábado passado, na noite da Anthenor Navarro, desprezada pelos ainda modernosos, nos reunimos pouco a pouco. Um punhado de gente. Umas vinte pessoas, compositores, artistas plásticos, atores, teatrólogos. Gente como Rick Santana, que faz quadros explosivos, Flávio Melo, que vai montar “Baal”, de Brecht, e Manassés Diego, novo dramaturgo. Com os menos novos, os da minha idade, ou quase, cantamos um trecho da “Sociedade dos poetas putos”. “Quando me faltou a sensação de jornalista, senti não ser um bruxo nem David Copperfield. Me senti como um poeta muito puto, incapaz de vender coca, o corpo, o absurdo”.

Muita coisa acontecerá. Os “doutores” não impedirão.

                              

@ CARLOS ARANHA é compositor, jornalista e escritor

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