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A partida do autor de "Banho de Cheiro"

by anonymous

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Opinião

CARLOS ARANHA

 

caranha@terra.com.br

 

Publicado no "Correio da Paraíba",

edição de 3 de setembro de 2013, 3ª feira

 

GRANDE CARLOS FERNANDO!

 

                Há tempos que não ia ao Recife. Ontem, cheguei lá a tempo de participar do final do velório e do enterro do corpo de Carlos Fernando, grande e valoroso amigo, a quem devo minha introdução na cena musical pernambucana, no final dos anos 1960. A última vez que estive com ele em vida foi no final dos 1990. Estavam lá Jomard Muniz de Britto e Leda Alves, agora secretária de Cultura do Recife. Se Geraldo Azevedo foi ao velório, deve ter sido cedo. Alceu Valença e Elba Ramalho estavam no Rio de Janeiro. Elba gravou duas músicas de Carlos Fernando que fizeram grande sucesso: “Banho de cheiro” e “Canta coração”.

                Claudionor Germano - que também estava presente - afirmou que Carlos Fernando representava bem “a alegria de nosso carnaval e produziu várias músicas para festivais. Da última vez que o vi, estava magro, abatido”. Eram as conseqüências do câncer de próstata, que ele soube enfrentar sem fazer da doença um estandarte doentio.

                Carlos não fazia somente frevo, como alguns mais novos pensaram. Talvez pelo antológico projeto que ele levou à frente: o “Asas da América”, coletânea de frevo que idealizou, onde cantaram Caetano Veloso e Gilberto Gil, entre outros. Entretanto, não há como negar que, num estilo moderno, foi Carlos Fernando quem melhor compôs frevo em Pernambuco na fase posterior aos geniais Capiba e Nelson Ferreira.

Naná Vasconcelos, que não encontrei ontem, deu uma entrevista ao “Jornal do Commercio”, destacando: “Na semana passada, ficaram umas músicas dele na minha cabeça, especialmente uma que gravei com Teca Calazans, ‘Cravo vermelho’. Quando estava morando na Europa e vim ao Brasil, em 1986, fiz um show com Geraldo Azevedo, no Santa Isabel, e terminei com essa música. E Carlos Fernando estava na platéia. Éramos amigos de roda. Ele tinha uma coisa muito bonita, que era a parceria com Geraldo Azevedo. Nós perdemos um grande pernambucano, um grande compositor”.

Para anotar: a primeira música composta por Carlos, em parceria com Geraldo, foi “Aquela rosa”, cantada por Teca. Ganhou a I Feira de Música do Nordeste, no Recife, em 1967. Descanse em paz, amigo. A ti, muito devo.

 

@ CARLOS ARANHA é jornalista e escritor

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