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Um dos poetas sul-americanos mais reeditados

by anonymous

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Opinião
 
Publicado no "Correio da Paraíba"
em 1º de março de 2013, 6ª feira

AUGUSTO E CARTAXO

Desde o final da época em que Cícero Lucena governou a cidade - quando inaugurou a reforma da Praça Anthenor Navarro com um show reunindo Belchior e Elba Ramalho -, que escrevo sobre a urgente necessidade da Prefeitura de João Pessoa fazer um monumento a Augusto dos Anjos, no Parque Solon de Lucena. Vem entrando prefeito, saindo prefeito, e nada. Continua o paraibano considerado o mais inventivo dos poetas aqui nascidos com apenas um busto não condizente com a altura de sua obra, escondido no parque por trás de um equipamento da Polícia Militar. Mija-se em seu pedestal todas as noites.

Não se trata mais de levar aquele busto para outro lugar. João Pessoa deve a Augusto dos Anjos o que Salvador fez com Castro Alves. Em 20 de junho de 1923 (há noventa anos, então), a estátua em bronze do poeta de “Navio negreiro” foi levantada até o topo da coluna que lhe serve de base, na Praça Castro Alves. Os blocos que serviram para o pedestal são de granito. O monumento foi inaugurado em 6 de julho de 1923. Em sua totalidade, mede 10,74m de altura. A estátua do poeta tem 2,34m de altura. Em placa de mármore, numa das faces da base, lê-se: “A Bahia, a Castro Alves”.

O monumento a Castro Alves é um dos pontos que atraem mais turistas em Salvador. Não poderia ser assim em João Pessoa, com o monumento a Augusto dos Anjos, no parque que abriga a Lagoa? Garante-se que turistas viriam de todos os Estados para fazerem fotos e vídeos no local.

                É necessário lembrar que Augusto dos Anjos hoje é um dos poetas que mais foram reeditados com “Eu e outras poesias”. Isso se deve principalmente ao sucesso que obteve, através dos anos, entre as camadas populares brasileiras. Parece-me que neste ano seu livro chegará à 51ª edição. É pouco?

                O prefeito Luciano Cartaxo anunciou há cerca de um mês que uma de suas prioridades é a reforma do Parque Solon de Lucena. Acho que é necessário aproveitar a iniciativa para se erguer o monumento a Augusto dos Anjos, que contribuiria, em muito, para o aumento do turismo em João Pessoa. Em conseqüência, Luciano Cartaxo entraria para nossa História como o prefeito que resgatou, em definitivo, para todo o Brasil, o poeta do “Eu”. Vale à pena lembrar que Augusto foi eleito o Paraibano do Século (o XX). Chegou-se ao ponto de Ariano Suassuna retirar sua candidatura em homenagem ao autor de “Versos íntimos”.
 
@ CARLOS ARANHA é jornalista e escritor

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