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Fidel e Raul Castro jogaram fora idéias e metas

by anonymous

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Opinião
 
Publicado no "Correio da Paraíba",
edição de 3ª feira, 19 de fevereiro de 2013

YOANI, BEM-VINDA

Sou da geração que, ainda na adolescência, vibrou com a Revolução Cubana, com a ascensão de Fidel Castro, Ernesto Guevara e outros ao poder em Havana, anunciando o ideário da construção e consolidação de um regime socialista e de resistência ao imperialismo anglo-americano.

Dez anos depois, morando no Rio de Janeiro, continuei na torcida por Cuba, juntamente com Moacy Cirne, Sinval Itacarambi Leão, Marcus Vinícius de Andrade, Elói Pietá e Ednaldo do Egypto. Dividíamos um modesto apartamento na Silveira Martins, entre o Aterro do Flamengo e o Catete. Tínhamos a facilidade e a coerência de estarmos, ao mesmo tempo, ao lado de Fidel Castro, Beatles, Jean-Luc Godard, Glauber Rocha e Michelangelo Antonioni.

Os anos foram passando nas patas dos cavalos e nos pneus das motocicletas. Muita coisa mudou aqui. Também em Cuba. O regime político de Havana jogou fora mais da metade das idéias e metas que anunciaram na festa da vitória revolucionária. Para surpresa de muitos, mundo afora, Fidel e Raul Castro foram mudando ao ponto de que fica muito difícil não classificá-los como ditadores. Os castristas alegam que não são possíveis as aberturas políticas nem mudanças fundamentais na administração da Ilha por conta do bloqueio comercial até hoje exercido pelos Estados Unidos. (Obama, Obama, onde estás que Cuba não te ouve?). Mas, o bloqueio não justifica a perseguição aos homossexuais (o regime cubano sempre se destacou, internamente, pela homofobia e somente nos anos 90 é que vazou por completo a discriminação exercida com violência).

                Não justifica que agentes cubanos venham ao Brasil para acompanhar, à distância possível, os passos da dissidente cubana Yoani Sánchez, filóloga e conhecida mundialmente por seu blog “Generación Y”. Ela já foi seqüestrada, agredida verbal e fisicamente, espancada pela polícia cubana. Chegou ontem ao nosso país. À noite, em Feira de Santana, viu a estréia do documentário “Conexão Cuba-Honduras”, de Dado Galvão, no qual é uma das entrevistadas. Desde a semana passada que castristas brasileiros lançam na Internet dossiês contra a dissidente contendo informações falsas e até fotomontagens. Isto é uma prática democrática? Quanto a mim, digo: Yoani, bem-vinda.

@ CARLOS ARANHA é jornalista e escritor

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