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A ligação entre a produção de "Argo" e a Casa Branca

by anonymous

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Opinião
 
Publicado no "Correio da Paraíba"
em 27 de fevereiro de 2013, 4ª feira

O OSCAR DESMORALIZADO

Nunca pensei que fosse ver o circo da espetacularização da política ou da politização do espetáculo, no encerramento da entrega das estatuetas anuais da outrora mais firme Hollywood. Quando aquele telão, ou projeção, enorme deixou Jack Nicholson reduzido ao tamanho de um dos lilliputianos das “Viagens de Gulliver”, sob os pés de Mrs. Michelle Obama, fiquei assustado. Diretamente da Casa Branca, ainda com o “new look” de sua franja, a primeira-dama dos Estados Unidos abriu o envelope para anunciar o Oscar 2013 de melhor filme.

A ligação política entre a produção de “Argo”, de Ben Affleck, e a Casa Branca ficou evidente. Sabe-se que os americanos realizam obras cinematográficas com apelo patriótico. “Argo” foi feito para uma população que precisa de heróis. Triste, no entanto, é o país que necessita “produzir heróis”. Desde anteontem que a maior parte da imprensa internacional ataca a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, cujo acerto com a Casa Branca foi claro para colocar um filme vulgar no mesmo nível das melhores obras do cinema. Por acaso, Michelle Obama estaria ali para anunciar como vencedor um filme como “Amour” ou “As aventuras de Pi” - obras-primas por excelência? Mas, não haveria esse risco. Estava tudo combinado.

Enfim, finalmente uma festa do Oscar ficou desmoralizada. A compensação para o público que ama o cinema de qualidade artística é que “Argo” é só mais um daqueles filmes políticos que ninguém mais vai se lembrar com mais um ano. Não marca quem assiste, não fica “martelando” na cabeça, não desperta muita emoção. Até um filme cheio de clichês como “Lincoln”, de Steven Spielberg (à exceção da magistral interpretação de Daniel Day-Lewis), se saiu dez vezes melhor como cinema do que “Arghhhh!” - aliás, “Argo”.

Mais escandaloso ainda do que premiar “Argo” foi preterir a genial pérola rara Emanuelle Riva em favor da gasguita e careteira Jennifer Lawrence para o Oscar de melhor atriz.

Reafirmo que o Oscar está desmoralizado e digo que, ao contrário de “Argo”, “As aventuras de Pi” ainda será lembrado daqui a dez anos. Ou mais.

 
@ CARLOS ARANHA é jornalista e escritor

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