CopyPastehas never been so tasty!

Não posso me calar diante dos silêncios soltos

by anonymous

  • 0
  • 0
  • 0
69 views

Opinião

CARLOS ARANHA

 

caranha@terra.com.br

 

Publicado no "Correio da Paraíba",

edição de 4ª feira, 29 de maio de 2013

 

OSMAN, SÍLVIO E ELBA

 

Se eu não fosse amigo de Sílvio Osias, talvez Osman Giuseppe Gioia não tivesse sido autor do arranjo de “Sociedade dos poetas putos”, e seu diretor musical no disco-mix vinil de 1990. Foi o jornalista e também músico (e outras coisas) que me levou ao maestro. A mínima idéia de como seria gravada sem Osman, não posso ter, pois ele transformou-se num co-autor.

Tenho a felicidade de Sílvio ter acompanhado toda a minha carreira a partir de quando fiz, com meu então parceiro Cleodato Porto, e vocais de Walter Galvão (que era de um grupo chamado Pleft), o show “Puxa-puxa”, que teve como subtítulo uma homenagem a Astor Piazzolla: “Música contemporánea de la ciudad de Buenos Aires”. Só é trocar Buenos Aires por João Pessoa. Sílvio - hoje, editor geral da TV Correio - tocou comigo “Rebola e dança” num festival carnavalesco. Honra-me poder dizer que sempre colaborou nos meus “insights” sonoros, até o show “Conversas em torno do busto de Augusto”, pois é um dos jornalistas nordestinos mais antenados com a produção artística, principalmente música e cinema. Sim, nada de esquecer: ele estava no estúdio Estação do Som, no Recife, durante as gravações de “Sociedade dos poetas putos”.

Graças a Osman Gioia, que era então regente da Orquestra Sinfônica Jovem da Paraíba, fui o primeiro compositor no Nordeste a ter apresentação, ao vivo, de uma música em que foi usado um teclado (no caso um Roland de última geração) com “samplers” internos, criando timbres variados. O “sampler” é um processo que vai além do sintetizador. Hoje, Osman é diretor artístico e regente titular da Orquestra Sinfônica do Recife (há doze anos).

Assumo não a vaidade, mas o que Gilberto Gil gosta de definir como “orgulho civil”, desde quando lançou com Antonio Risério o livro “O poético e o político”. Assim lembro o que Elba Ramalho respondeu numa entrevista à sucursal de “A União” em Campina Grande, em 1971. Ela tinha participado de um festival, onde também concorri e ganhei o primeiro lugar, e disse: “Em música eu quero conseguir o que faz Carlos Aranha com seu grupo”.

Escrevi este artigo e o de ontem porque não posso me calar diante dos silêncios soltos por aí, quando “Giramulher” e o tropicalismo local completam 45 anos. Muito grato aos que entenderem.

 

@ CARLOS ARANHA é jornalista, compositor e e escritor

Add A Comment: