CopyPastehas never been so tasty!

Vertcalização não é sinal de progresso

by anonymous

  • 0
  • 0
  • 0
88 views

Opinião

CARLOS ARANHA

 

Publicado no "Correio da Paraíba"

de sábado, 23 de fevereiro de 2013

caranha@terra.com.br

NÃO AOS ESPIGÕES!

“Não mexam com o sol da Paraíba”. O título do artigo do empresário Roberto Cavalcanti (publicado anteontem em Opinião) foi de felicidade e oportunidade singulares, no momento em que algumas pessoas desejam que a orla marítima de João Pessoa seja transformada em cópia de capitais como Maceió e Natal. Transcrevo três parágrafos seguidos do artigo do empresário, que tão bem defendeu os interesses de João Pessoa e da Paraíba em geral, quando no Senado: “O litoral do Estado foi um dos poucos, no Nordeste, a não aderir à onda de verticalização que encobriu o sol e sombreou milhares de quilômetros de praias. Ao longo das últimas quatro décadas, construiu - ao evitar a construção dos espigões - um diferencial turístico. Demorou, é verdade, mas - quatro décadas depois - é justamente a diferença que está ‘vendendo’ o destino Paraíba, com destaque para João Pessoa, em meio à mesmice que se espalha pelo litoral nordestino”.

Ávidos pela multiplicação de seus lucros, alguns empresários imobiliários agora demonstram a esperança de que a Câmara Municipal modifique o Código de Obras e Urbanismo para haver permissão da construção de espigões nas primeiras avenidas da orla. Estão equivocados, pois a Câmara não pode fazer isso. Em 1989, o artigo 229 da Constituição Estadual restringiu o gabarito na orla marítima de João Pessoa, na faixa de 500 metros a partir da preamar de sizígia. Além dos 500 metros, os prédios com cinco ou mais pavimentos também precisam manter certa distância entre eles para garantir a livre circulação do vento. Assim, há brisa e iluminação natural para todos, fazendo diminuir o consumo de energia elétrica.

A progressista e planejada João Pessoa vem se tornando um destino turístico muito forte pela diferença que apresenta em relação às outras capitais nordestinas, incluindo o fato de que, no sentido oeste-leste, foi construída entre o Rio Sanhauá e o mar. Somente ela tem essa característica. Nos últimos anos, o Governo do Estado e a Prefeitura Municipal investem em qualidade de vida para quem mora na cidade, proporcionando aos turistas que vêm dos grandes centros uma temporada menos estressante. Jamais a bagunça que existe em Natal, por exemplo, significaria sinal de progresso.

Não custa lembrar que temos 20 metros quadrados de área verde por habitante.

@ CARLOS ARANHA é jornalista e escritor

Add A Comment: