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Como faz falta o teatro de Martins Pena

by anonymous

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Opinião
CARLOS ARANHA
 
caranha@terra.com.br
 
Publicado no "Correio da Paraíba",
edição de 30 de março de 2013
 
JUDAS EM SÁBADO DE ALELUIA
 
Ao que eu lembre, foram montadas em João Pessoa seis peças de Martins Pena: “O juiz de paz da roça”, “Os irmãos das almas”, “As desgraças de uma criança”, “Quem casa, quer casa”, “O noviço” e “Judas em Sábado de Aleluia”. Talvez outro de seus textos (mais de trinta) tenha sido levado à cena nos tempos do premiado Teatro do Estudante da Paraíba ou apresentado aqui por algum grupo vindo do Recife ou mesmo do Rio de Janeiro ou São Paulo. Não sei precisar porque minha mãe, a professora Antonieta, começou a me levar ao Santa Roza quando entrei na adolescência.
Criador da comédia de costumes no Brasil, um dos primeiros a retratar o processo de urbanização no século 19, Martins Pena (1815-1848) é tão importante para o teatro quanto Castro Alves foi para a poesia. Martins também morreu novo, com 33 anos, em Lisboa, onde servia como diplomata. Foi aclamado pela crítica pela precisão de sua linguagem coloquial e pelo uso do estilo cômico para censurar, destacadamente, a hipocrisia da Igreja de então e os abusos políticos.
Martins Neto é mais importante para o teatro brasileiro, sem ter abandonado a linguagem popular, do que nosso Ariano Suassuna. Assim, espanta-me que - ao menos no “triângulo” Pernambuco/Paraíba/Rio Grande do Norte - os textos do nosso Molière não sejam montados há praticamente trinta anos. Como isto é visto pelos professores de educação artística, de encenação, da UFPB, UFPE e UFRN?
Lembrei novamente de Martins Pena por causa de seu “Judas em Sábado de Aleluia”, do qual vi no You Tube, na noite de anteontem, cenas de montagens feitas no Sudeste e no Rio Grande do Sul. Com perfeita linguagem cênica, a peça conta a história do guarda Faustino, que, precisando esconder-se de seu rival numa conquista amorosa, disfarça-se com as roupas do boneco de Judas confeccionado para a malhação do Sábado de Aleluia. Que tal algum grupo local ou de Campina Grande montar o espetáculo para o próximo ano?
Aos cinéfilos de plantão: em 1943, Humberto Mauro dirigiu um média-metragem com base no “Judas em Sábado de Aleluia” de Martins Pena.
 
@ CARLOS ARANHA é jornalista e escritor

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