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Um poema para Caetano Veloso

by anonymous

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CARLOS ARANHA

 

caranha@terra.com.br

 

Publicado no "Correio da Paraíba"

 

“YESTERDAY'S APOCALYPSE”

 

Hoje, o leonino Caetano Veloso completa 71 anos, continuando como o mais inovador dos compositores brasileiros. Abraçaceando-o virtualmente, reproduzo um poema meu a ele dedicado (e onde é citado): “Yesterday’s Apocalypse”. A seguir.

“Nada mais velho / que fazer verso / apenas por fugir / por cima da rima e de cima. / Nada mais novo / que rimar um pouco / para fazer descaso / dos casos críticos, / semânticos, analíticos / - apocalípticos, polípticos? - / porque a poesia / quando se conflita / é mais que o vão vôo da vida.

“Falam em semiótica / e esquecem / que de um lado o eco de Umberto, / d’outro, Marshall McLuhan / (importante senhor). / Não passam / de uma obra aberta / sobre o meio / e suas “men” SAGENS “bags”, / gangues e gagues, / quando a saga é ser / onipotentemente analfabeto / no meio de tanta poesia teórica, / pois a crítica / é como se Deus / s’arrependesse de si, / da luz, da palavra. / Será que pariram ou pararam / a teosofia? / (RE)FIAT LUX!

“A poesia / para por si só ser / precisa só de poética. / S’ela precisar / d’hiperteoria, / não passará / de meretriz mer’estética. / A poesia / não se mede, / nem se mete / onde não é gritada. / A ela até falta / (porque quando humana) / pronominalmente / a centimetrologia / - aliás, a metricologia - / das tais (ex)citadas fotografias / por um poetapositor, / oposto a Durkheim, / por passar por Salvador.

“Se Caetano alemão fosse, / filosofaria no Kaos, / último resquício das civilizações. / Mas, Veloso, pequeno e moreno, / como Augusto filósofo, / preferiu ser matosiogregoriamente, / mostrando a bunda / pr’um Brasil perplexo, / anexo / ao carmofado lusitano.

“No dia em que Van Gogh / cortou a orelha, / Deus olhou ao lado de seu pai / e perguntou: ‘Eu tenho sangue?’. / O pai chorou, pois entendeu que Deus / era o delírio / sem saber o que era / e em qual era. Nem Ray Bradbury, / Stanislaw Lem, / Verne, Huxley, Orwell... / ‘Well, well’, / nenhum escritor profeta / entendeu. / Cada um / de cada satélite / de cada planeta / de cada sistema / de cada Deus / implodiu / e pediu socorro.

“O que seria espilacopa, / Dona Rosário? / Um apocalipse / ao contrário”.

 

@ CARLOS ARANHA é jornalista e escritor

 

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